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TRABALHO DE ANTROPOLOGIA

CONHECENDO A "CULTURA SURDA"

INTRODUÇÃO


O objetivo da pesquisa antropológica, a qual nos dedicamos, foi relacionar e conhecer melhor a cultura dos jovens intérpretes dos surdos, buscando compreender o papel social da identidade construída por esses sujeitos.
Nosso primeiro encontro foi em uma reunião do grupo de surdos do Ministério Maquel, na Igreja Nova Canaã, situada na região central de Betim. O segundo encontro foi na festa de aniversário de um surdo, onde de maneira muito descontraída, realizamos entrevistas com 03 intérpretes, na faixa etária de 13 e 18 anos e o terceiro encontro foi na festa de comemoração do 8º aniversário do Grupo de Surdos Maquel, que aconteceu na Escola Estadual Nª Srª do Carmo. O ambiente estava alegre, com varias manifestações culturais de danças, realizadas pelos surdos, sempre acompanhados pelos intérpretes.
Tanto na ultima visita, como nas anteriores, fomos recebidos de maneira agradável e hospitaleira. Os intérpretes se mostraram preocupados em nos fazer entender e sermos entendidos pelos surdos. Tivemos algumas horas de diálogo e eles expuseram suas principais dificuldades e primeiras experiências com um grupo de surdos.
Procuramos bibliografias e fizemos pesquisas na internet, buscando informações de projetos e pessoas que também tivessem realizado trabalhos voltados para a identidade dos intérpretes. Porém só encontramos bibliografias direcionadas para a cultura surda, o que nos fez perceber que as pessoas empenhadas em fazer o outro ouvir ainda não haviam sido ouvidas.

METODOLOGIA

O grupo utilizou o diário de campo, a internet, o diálogo entre si para fazer os registros e também as orientações do texto Uma Descrição Densa: Por uma Teoria Interpretativa da Cultura. Todas procuraram estar presente nos encontros, em alguns deles, tivemos a participação dos nossos filhos e maridos, o que não nos impossibilitou de estarmos juntas nas visitas programadas.

CULTURA JOVEM

Todos os intérpretes observados pertencem a religião protestante denominada “Batista”, atua com surdos no ambiente religioso e no âmbito profissional, uma vez que, atuam profissionalmente como monitores/intérpretes nas escolas públicas de Betim. São sujeitos que se vestem de maneira comum, mas que se destacam pelo jeito diferente de se expressar: utilizam constantemente as mãos, o corpo e a expressão facial para se comunicar. Até mesmo quando conversavam conosco, em alguns momentos, utilizavam a língua de sinais, se não soubéssemos que eram ouvintes seriam facilmente confundidos com os surdos. Acreditamos que eles agem dessa maneira porque assumiram essa identidade e se fundiram intensamente com esse papel.
Pôde ser observado pelo grupo, que os intérpretes acreditam e apreciam verdadeiramente o papel que desempenham, pois se abriram conosco de forma alegre, espontânea e sem reservas, como quem realmente gosta e quer compartilhar aquilo que é e que faz. Sem nenhuma restrição responderam as nossas indagações, fizeram confidências pessoais, relataram de forma tranqüila e aliviada, as dificuldades financeiras e a falta de apoio que encontraram ao longo do caminho, até chegarem onde estão.
Ficou claro que os intérpretes estão presentes na vida do surdo de forma imprescindível e que ambos têm uma relação de cumplicidade e de profunda amizade.

IMPORTÂNCIA DA PESQUISA E RECONHECIMENTO POLÍTICO:DANDO VOZ AOS JOVENS


De acordo com as observações, entendemos que os intérpretes vêm tecendo uma teia de significados, mostrando que uma relação quando é estreita e movida pela generosidade e pela troca recíproca de afetos, ela desempenha um papel colaborativo e de significativa importância na vida do outro. Amenizando situações, abrindo caminhos, promovendo encontros e acolhendo o diferente.
Os intérpretes exercem uma importante função social, pois são mediadores entre o surdo e o ouvinte, eles estão presentes no cotidiano dos surdos: nas visitas ao médico, na escola, em situações jurídicas, profissionais e familiares.
Porém, de acordo com os próprios relatos pessoais, os intérpretes disseram que encontraram muitas dificuldades financeiras para custear os Módulos do curso de LIBRAS. E que por pertencerem a um contexto social carente financeiramente, sofreram muita oposição por parte dos próprios familiares, pois julgavam que este caminho escolhido não tinha futuro, mostrando assim, de maneira explícita as próprias necessidades e o descaso em relação às necessidades do surdo.
Mas, segundo eles, hoje os horizontes se ampliaram com a implantação do curso superior para intérpretes e a necessidade do mercado em se adequar as novas imposições da sociedade inclusiva.

CONHECIMENTOS E APRENDIZAGEM: ATINGIMENTO DE META
S

Acreditamos que o grupo cresceu em conceito de cultura, quando procurou aproveitar a oportunidade de aproximação com um grupo cultural diferente. Foi nos proporcionado uma visão reflexiva e respeitosa do outro no momento em que foi instigado em nós o desejo de aproximação, de conhecer e de relacionar com o que, até então, era diferente e inacessível para nós.
Trazendo para a escola essa visão, entendemos que o pedagogo precisa relacionar com a sua equipe para compreendê-la e precisa estabelecer relação de forma atenta com os seus alunos, buscando conhecê-los sem julgá-los e, a partir dai, poder ajudá-los a se formar como sujeitos críticos e ativos no processo, capazes de compreender a importância do seu papel na sociedade.

BIBLIOGRAFIA


FONTE GEERTZ, Clytord. a interpretação das culturas.Rio de Janeiro: Guanabara 1989

SOARES, Luiz Eduardo-BILL MV – ATHAYDE Celso. Cabeça de Porco

TEMPO SOCIAL; R. Sociol,USP, Volume 5 – Nºs 1-2, 1993 (Editado em Nov. 1994)

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